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09 abr, 2013

3 famosas missões espaciais que quase acabaram em desastre!


3 – EUA e URSS celebram parceria numa missão conjunta e nave americana vira uma frigideira Por volta de 1975 a corrida espacial já tinha terminado. Só era preciso uma cerimônia para registrar o fim. Com esse propósito, os EUA e a URSS concordaram em realizar uma missão conjunta: o projeto Apollo-Soyuz. Foi tão elegante como uma troca de gentilezas pública pode ser: uma tripulação americana é lançada numa nave Apollo e encontrará dois cosmonautas na Soyuz 19. Uma vez que suas naves estivessem acopladas, seus respectivos capitães Thomas Stafford e Alexey Leonov apertariam as mãos numa conferência televisiva enquanto suas tripulações realizavam experimentos científicos totalmente vitais e sem propósito marketeiro.
Então as naves se desacoplaram e seguiram seus caminhos alegremente. Soyuz aterrissou seguramente menos de um dia depois, enquanto a Apollo ficou no espaço um pouco mais, aparentemente para realizar experimentos científicos de verdade antes de retornar à Terra. Ou este era o plano. A reentrada foi marcada pela tripulação realizando os procedimentos numa ordem um pouco errada, que causou um balancê na nave. Numa tentativa de parar com a festa, os computadores de bordo automaticamente ajustaram os propulsores. Acontece que alguém deixou a tampa de uma das válvulas da cabine mal fechada e não era uma válvula qualquer: era a do tanque.
O combustível começou a vazar. E você não precisa saber muita coisa sobre o espaço para deduzir que ter seu colo coberto com combustível de foguetes não é uma boa coisa. Como se não bastasse o detalhe do combustível no seu colo, eles estavam numa ardente reentrada. O dito combustível? Tetróxido de Nitrogênio. Um nome tão apavorante quanto seus sintomas ao entrar em contato com você. Um veneno considerado mortal acima de 50 partes por milhão. A exposição na ocasião foi 15 vezes maior. Claro que a dose mortal a qual os astronautas foram expostos junto com a temperatura agradável de uma reentrada fizeram a queda um processo confortável.
Além disso tudo temos mais alguns detalhes como força G fraquinha, um reflexo natural de gritar “PutaQuePariuVouMorrer! SantaMãeDeDeusMeProteja!”, irritação nos olhos, náusea, queimaduras nos pulmões e freqüência cardíaca de uma Ferrari numa Autoban. Claro que ressuscitar um astronauta com sua máscara de oxigênio num ambiente com veneno suficiente para matar um regimento enquanto se está resolvendo uma coisinha chamada aterrissagem está nos treinamentos da NASA. Depois do mergulho no oceano, os três passaram algumas semanas relaxando em hospitais de Honolulu, mas se recuperaram perfeitamente. Leve este acontecimento em consideração antes de chorar igual uma menininha quando queimar o dedo no fogão.
2 – NASA age como funcionário público que é e diz que está tudo bem com uma nave espacial secreta toda ferrada

Em 1988, uma nave chamada STS-27 foi lançada. Virtualmente nada é sabido sobre seus objetivos além de ser uma missão extremamente secreta do Departamento de Defesa dos EUA. O que todos sabem é como esse lançamento quase se tornou a maior chuva de estilhaços ultra-secretos da história e como a NASA não poderia ter sido mais negligente. Durante o lançamento, uma peça de espuma protetora se descolou dos propulsores do STS-27 e revelando os pequenos ladrilhos que compunham o escudo contra o calor que revestia o fundo da nave.
E quando dizemos escudo estamos falando do detalhe de engenharia que prevenia a nave de virar um amontoado de ferro derretido na reentrada. Este incidente já acontecera antes e a tripulação suspeitava do problema então, no espaço, eles usaram um braço robótico com uma câmera para ver os estragos. O que eles viram foi o pior dano já sofrido por um escudo: 700 ladrilhos foram danificados, ao ponto de pelo menos um ladrilho ser completamente destruído. Vamos apenas reproduzir o que o comandante Robert Gibson disse na ocasião: Nós vamos morrer!
Ele então solenemente informou a NASA da situação era russa (!): – Não cara, isso aqui não é como trocar uma lâmpada. As imagens do estrago verificadas pela NASA eram muito ruins para avaliar o tamanho da nota para imprensa que eles teriam que emitir. Solução? Eles acharam, convenientemente, que o rasgo na nave era apenas um jogo de sombras e disseram para a tripulação que aterrissar não seriam um problema. Não é preciso dizer que os astronautas viram que a merda era grande demais e que Houston não iria ajudar. O resto da missão ocorreu normalmente. A atitude que a tripulação resolveu tomar foi a de não se lamentar e esperar pelo forno humano que seria a reentrada e sarcasticamente raciocinar:
“Por que morrer estressado?”. Mais humor negro impossível… Gibson até preparou um discurso para entregar a NASA quando fossem recolher os pedaços da nave. Contra todas as possibilidades, a bicha aguentou o tranco durante a reentrada e aterrissou sem maiores problemas. Neste momento, a NASA finalmente deu uma olhada no problema e viu claramente a estupidez da sua decisão admitindo que esse era de longe o pior dano já visto numa nave. Infelizmente não temos a réplica do comandante Gibson. Mas podemos imaginar…
1 – Uma história de cinema sobre a tripulação da MIR

Em 1986 a URSS começou a construção da poderosa estação espacial MIR. Ela cresceu para ser o maior objeto feito pelo homem a orbitar a Terra, até sua morte em 2001. Uma estação enorme como esta precisava de presença humana constante e portanto as primeiras missões estavam definidas: EO-1 e EO-2, ambas com 6 meses de duração. Já em 1997, entre os grandes cortes de orçamento e a queda do interesse do público na MIR, a tripulação da EO-23 começava seus trabalhos na agora velha e rangente estação russa. Acidente à vista…
No dia 12 de Fevereiro de 1997 começava a missão. Menos de duas semanas depois, um incêndio químico tem início na estação. Labaredas de 1 metro deixaram as instalações mais quentinhas no módulo Kvant, causando destruição por 14 minutos. Depois do incidente, os astronautas tiveram que usar máscaras de oxigênio por longas duas horas e meia, porque depois de um entendimento geral, abrir a janela estava fora de questão. Em Março e Abril foram deliciosamente presenteados com uma luta quase corporal com máquinas pouco importantes como o controle de temperatura, produção de oxigênio e remoção de CO2. Um verão para recordar…
Sem as doletas (hoje chamadas de Obamas), os aspones russos queriam saber então se uma acoplagem manual era possível para o resgate. A tripulação fez o teste em Julho respondeu para Moscow: “Não, cacete!” Tentaram então dois testes separados com robôs. O primeiro navegou gloriosamente para as profundezas do espaço sideral. A segunda tentativa foi ainda pior… O então robô bateu na célula solar da estação e depois acertou em cheio o módulo Spektr. O dito cujo começou a se despressurizar rapidamente obrigando os astronautas a desligarem e selarem completamente o módulo para nunca mais ser aberto novamente.

Mas como este é uma missão russa, e com russos no comando, o dito módulo que foi fechado e desligado era o que administrava a energia da estação, que ficou sem energia. A MIR passou de estação espacial para um caixão. Até que eles conseguiram por a bagaça para funcionar mais ou menos novamente depois de duas semanas. Passados os 6 meses, a tripulação da EO-23 estavam ansiosos para voltar a Terra. E como um capítulo final bacana, os foguetes da Soyuz falharam ao se aproximar do solo, expondo nossos heróis a uma das mais duras aterrisagens já vivida por uma tripulação.


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